Sobre

Missão Dimix: it's possible!

A ASSOCIAÇÃO MISSÃO DIMIX é uma associação sem fins lucrativos, que nasceu em 2016 a partir do desafio de Sónia Pessoa (Ursotigre) aos seus amigos, unidos por uma causa para criar um projeto de partilha e juntos darem as mãos  a crianças e jovens, às Principezinhas e aos Príncipezinhos de São Tomé e Príncipe

Desde 2017 a associação tem o estatuto de Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD).


A Missão Dimix, tem por objeto a promoção e defesa dos Direitos Humanos, especialmente das crianças, jovens, adultos e idosos, pertencentes a classes sociais mais isoladas, apoio ao desenvolvimento nas áreas da Educação, Ambiente, Saúde, Igualdade, Desenvolvimento, Alimentação, Higiene e Solidariedade. A promoção da cultura, ensino e divulgação de actividades artísticas num contexto socialmente em desvantagem, através de várias iniciativas e eventos, tais como, palestras, sessões de esclarecimento, educação, comunicação, responsabilidade social, recolha e angariação de fundos ou de bens. 



MISSÃO DIMIX: em seis questões.
1 O QUE É / 2 VISÃO / 3 PARA QUÊ E PARA QUEM / 4 VALORES / 5 CULTURA / 6 DESAFIO /

 


1 O que é a nossa missão ?


Missão de cooperação que  se dedica à implementação e realização de actividades de partilha e aprendizagem de forma lúdica e criativa no caminho da educação pela arte com crianças e jovens de comunidades rurais e costeiras, maioritariamente isoladas.
A nossa missão é potenciar o poder da educação, da aprendizagem e dos talentos de crianças e jovens.


Acreditamos que é possível partilhar educação num “espaço” onde as crianças podem “ser crianças” e onde são a grande inspiração para a criação de metodologias de aprendizagem cativantes. Os “ingredientes mágicos” são: a amizade, a terra, as cores, os animais, as plantas, o desenho, os jogos, as letras, os números, a leitura, a construção e o desenvolvimento como ser humano, através do aprender brincando, experimentando saberes e fazeres.
É através da observação e do entendimento dos seus talentos que as guiamos a descobrirem saberes importantes para a sua educação.  Assim, nasceu o encanto pela leitura, através do seu gosto pelo desenho - pedagogia - “leitura desenhada” - as crianças são a chave para o desenvolvimento de pedagogias onde se aprende com alegria.


A nossa Associação, MISSÃO DIMIX, pretende ser uma referência na educação não-formal, contribuíndo através de princípios éticos de transparência, justiça e equidade social na aprendizagem contínua, valorizando e estimulando os talentos de cada um, potenciando o futuro através do presente,
despertando-os para o respeito pelo meio ambiente, assim como para o desenvolvimento da comunidade.


“Como metodologia de uma educação pela arte, H. Read propõe a expressão livre, o jogo, a espontaneidade, a inspiração e a criação, ou seja, que numa educação em que a base seja a arte, esta deverá ser proporcionada à criança sob a forma lúdica-expressiva-criativa, de modo livre, num clima que proporcione a inspiração, motive a expressão dos sentimentos e estimule a criatividade”.


Fonte: SOUSA, Alberto, 2017,  Educação pela Arte e Artes na Educação, Edições Piaget.

Herbert Read, foi presidente da associação internacional de Educação pela Arte (INSEA) é um marco referencial com estudos no campo da arte, da sociologia e sobretudo da educação pela arte.



2 Qual a nossa visão?


Que todas as crianças tenham acesso a experiências que lhes promovam memórias felizes da infância e que contribuam para o seu desenvolvimento humano. 
O Mundo só nos fará sorrir se as nossas crianças crescerem felizes e equilibradas. 



3 Para quê e para quem? 


Para proporcionar actividades lúdico-educativas de ocupação de tempos livres com crianças e jovens. 
_ODS 4_ODS 10_ODS 5*
 


4 Os nossos valores.


A Missão Dimix move-se sob o lema da solidariedade, integridade, responsabilidade social, interculturalidade, afectividade e harmonia, defendendo os direitos das crianças.


“(…)Contribuir para a realização do educando, através do pleno desenvolvimento da personalidade, da formação do carácter e da cidadania, preparando-o para uma reflexão consciente sobre os valores espirituais, estéticos, morais, cívicos e proporcionando-lhe um equilibrado desenvolvimento físico.(…)”


Fonte: SOUSA, Alberto, 2017,  Educação pela Arte e Artes na Educação, Edições Piaget.



Acreditamos no poder da educação e do sonho para o desenvolvimento de comunidades onde pessoas, animais e ambiente se relacionam em harmonia.

A dedicação e o comprometimento é essencial para o êxito da missão e visão. Investir na aprendizagem permanente é o caminho para criar oportunidades e estratégias pedagógicas de construção de comunidades educativas sustentáveis onde a educação ambiental e cívica é um dos pilares importantes de união e participação de todos.

A sustentabilidade humana das actividades ou seja a apropriação é desenvolvida naturalmente, os jovens descobrem os seus talentos, contribuíndo para o seu desenvolvimento pessoal e capacitam-se nas suas escolhas dentro da comunidade de aprendizagem e nas suas escolhas profissionais.

É um desafio permanente, mas juntos em comunidade com amizade, humildade, optimismo, responsabilidade, ética, liberdade, flexibilidade e tolerância, estamos em permanente evolução, com vontade de fazer e aprender uns com os outros para o bem de todos, pessoas, animais e ambiente.
 


5 A nossa cultura.


As nossas práticas resultam do respeito pelo meio social, pelos hábitos e costumes locais.
No trabalho comunitário e nas parcerias que estabelecemos, visamos reforçar a igualdade de género, a capacitação das crianças e jovens no seu crescimento e a cooperação com as mulheres e mães, que são frequentemente chefes de família.


Abraçamos a Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas como uma orientação, um instrumento de trabalho.

• http://www.unric.org/pt.


Através de partilha de actividades transmitimos competências inspiradoras de diversas áreas: literacia do oceano, leitura, artes visuais, técnicas manuais tais como tricot para reutilização de resíduos, desporto, teatro, agricultura, educação ambiental e desenvolvimento sustentável partilhando ações em regime extracurricular.


O grande objetivo é despertar e inspirar as crianças para um conjunto de oportunidades, de expressão pessoal e do foro profissional, descobrindo caminhos para um futuro sorridente. 


Queremos ouvi-las, descobrir os seus sonhos,
inspirar caminhos, caminhar juntos no presente e vê-los a voar no futuro. 


_ODS 4 _ODS 13_ODS 14_ODS 15*



6 O Desafio?


Procuramos parceiros para desenvolvermos sinergias que possam apoiar-nos na realização das actividades  com crianças e jovens de São Tomé e Príncipe.


_ ODS 17*
+info:https://missaodimix.org/ajudar

*ODS - Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, agenda 2030 ONU.


Sobre

Onde?

Contextualização  - São Tomé e Príncipe


O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – avaliado em três dimensões da vida humana (saúde, qualidade de vida e educação) – apurado anualmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, 2019), mostra que, apesar do progresso sem precedentes contra pobreza, fome e doenças, muitas sociedades continuam com sérios desafios a serem ultrapassados. Todas estas têm uma falha em comum: as desigualdades sociais e económicas. Em 2019, São Tomé e Príncipe (STP) passou do lugar 138 para 137 de 180 países no IDH*.


*O IDH é dividido em três dimensões da vida humana: saúde (aliada a longevidade), qualidade de vida (medida em rendimento nacional bruto per capita) e educação.


STP - Contexto nacional:

São Tomé e Príncipe é um pequeno estado insular localizado no Golfo da Guiné, a 350 km da costa oeste de África, com pouco menos de 1000 quilómetros quadrados, composto por duas ilhas principais (ilha de São Tomé e ilha do Príncipe) e várias ilhotas de pequena dimensão desabitadas, que chegam a ser ocupadas temporariamente por pescadores em busca de melhores oportunidades de pesca, tendo apenas população o ilhéu das Rolas.


Contexto Político: 
São Tomé e Príncipe tem funcionado nos termos de um sistema democrático multipartidário desde a sua independência em 1975.


Contexto Social: 

Em São Tomé e Príncipe existe o consenso de que a incidência da pobreza não mudou significativamente entre os dois últimos inquéritos às famílias (2000 e 2010). Estimativas recentes do Banco Mundial mostram que cerca de um terço da população vive com menos de 1,9 dólares norte-americanos por dia, e mais de dois terços da população é pobre, estando num limiar de pobreza. Áreas urbanas e distritos do sul e norte como Caué e Lembá apresentam maiores níveis de incidência de pobreza.

Tem uma taxa bruta de matrículas no ensino primário de 110%, uma esperança de vida de 66 anos, uma taxa de mortalidade de crianças até aos cinco anos de 51 por 1000 nados-vivos, acesso a uma fonte melhorada de água para 97% da população e acesso a electricidade para 60% da população.


Contexto Económico: 
São Tomé e Príncipe enfrenta dificuldades típicas de pequenos estados que afectam a sua capacidade de lidar com choques e atingir um orçamento equilibrado.
A produção agrícola declinou desde a independência em 1975 e já não é a principal alavanca de crescimento económico. Todavia, os produtos agrícolas, especialmente o cacau, constituem a maior parte das exportações do país. Além disso, o turismo é uma vantagem comparativa natural para STP e já constitui uma importante actividade económica, embora o país esteja longe de se tornar numa economia dependente do turismo.
Prevê que ocorra exploração comercial do petróleo a partir de 2020, muito poucos bens são produzidos localmente, o que faz de STP fortemente dependente de importações, incluindo petróleo para geração de energia.

Como na maioria dos países africanos a população é bastante jovem, segundo os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística INE (2014):
-    51% da população é constituída por pessoas de idades compreendidas entre os 0 e os 18 anos de idade;
-    44% têm menos de 15 anos;
-    4% da população corresponde a pessoas com 65 ou mais anos.


Deparamo-nos com condições de vida muito críticas, que têm uma grande influência na saúde e bem-estar da criança, nomeadamente no que diz respeito  à falta de  saneamento básico, água potável e electricidade que provocam grandes constrangimentos à população e com consequências que levam à dificuldade na conservação dos alimentos, problemas de saúde, falta de produtividade, acesso a informação e pobreza generalizada.


onde_contextualizacao_stp.pdf


O estudo relata que num país onde mais de 66,2% (INE 2010) da população vive abaixo da linha da pobreza, a incidência da pobreza é ainda mais elevada nas crianças, que apresentam maior vulnerabilidade relativamente à situação da protecção social do que os adultos. O estudo também indica que o nível de educação do chefe de família é o determinante mais fundamental da pobreza das crianças.

A situação delicada destas crianças é o resultado de um conjunto de problemas sociais tais como: violência doméstica; alcoolismo, desestruturação dos agregados familiares; ausência de informação materno-infantil; falta de motivação, objectivos e iniciativas, desemprego (Taxa de desemprego 13,9% - INE 2012, 59% das mulheres, muitas chefes de família).



Alfabetização nas mulheres e nos homens

-    A percentagem de alfabetizados indica que 90% das mulheres jovens em São Tomé e Príncipe são alfabetizadas, e esse estatuto da alfabetização varia moderadamente por áreas. 

-    Das mulheres que declararam que a escola primária era o seu mais alto nível de educação (e as poucas que declararam nunca ter frequentado a escola), apenas 64% foram realmente capazes de ler a frase que lhes foi mostrada. 

-    A situação, no entanto, parece estar a melhorar na medida em que 92% das mulheres jovens de 15-19 anos são alfabetizadas, contra 86% de 20-24 anos de idade. O perfil da alfabetização de homens jovens é muito semelhante ao das mulheres jovens.


Fonte: 

https://www.ine.st/index.php/p...

São Tomé e Príncipe MICS 2014, Relatório


Violência Doméstica 

No que diz respeito à violência doméstica contra mulheres e crianças podemos apontar as seguintes causas directas tais como:

-    prática pouco contestada socialmente;

-    a violência contra as mulheres, é causa da violência contra as crianças;

-    taxa de consumo de álcool elevada.

Tais causas são consequências de:

-    destruturação familiar e poligamia;

-    taxa de dependência elevada;

-    insuficiência da rede de proteção que não oferece às mulheres a possibilidade de saírem da situação de violência;

-    ausência da lei integral sobre a infância e de tribunais especializados.


Daqui, podemos destacar três aspectos que devem ser urgentemente combatidos: 

-    violência contra crianças (que abrange abuso sexual, negligência, abandono e trabalho infantil);

-    falta de saneamento; 

-    desnutrição.


Segundo a Análise da situação das crianças e das mulheres em STP (UNICEF, dados de 2015):

As causas directas da frágil situação vivida pelas crianças e mulheres em STP:

-    Maus tratamentos, violências ou abusos graves.

-    Capacidade das famílias em garantirem as necessidades essenciais (alimentação, medicamentos) das crianças.

-    Necessidade dos rendimentos do trabalho das crianças, na sua família.

Causas subjacentes:

-    Disfuncionalidade das famílias de origem (marginalidade, problemas mentais, alcoolismo) e de vulnerabilidade socioeconómica:

- 46,2% moram com os dois pais;

- 12,7% não vivem com nenhum dos dois, são entregues a familiares ou a vizinhos.

-    Abandono escolar;

-    Problemas de abusos institucionais (por parte das crianças).


Fonte:  

UNICEF, 2015, Análise da Situação das Crianças e das Mulheres em São Tomé e Príncipe.





A ÁRVORE DO PROBLEMA


A árvore do problema é uma ferramenta usada no empreededorismo social que estrutura a análise de problemas, apoia a compreensão e identificação das suas causas e efeitos. Com esta ferramenta o problema é organizado em formato de árvore, as raízes são as causas e os ramos os efeitos respectivos. Desta forma representamos a realidade.




A ÁRVORE DA SOLUÇÃO




Sobre

Tudo começou... amizade...

Tudo começou numa viagem a São Tomé em Novembro de 2015. 

 A Missão Dimix nasceu da amizade com uma criança, o Dinix, o menino de sorriso tímido que caminhava no Ilhéu das Rolas a comer mangas.
A Missão Dimix nasceu no meio do MUNDO, na linha imaginária do Equador, a zero graus de latitude, num pequeno ilhéu das ilhas do chocolate, São Tomé e Príncipe. 
A Missão Dimix nasceu da amizade e do sonho antigo de criar um projecto de partilha de educação e actividades artísticas manuais e ecológicas com crianças e jovens de meios rurais isolados.


A Sónia e o Bobby conheceram o Dinix, um menino que a encantou, com o seu sorriso tímido, o encontro foi verdadeiramente inspirador! Ficaram as saudades do seu olhar, mas também a vontade de partilhar actividades para ocupar o tempo livre das crianças como ele. Foi esta amizade que despertou tudo o que está na origem desta missão. De regresso a Lisboa, nas memórias da Sónia ficou não só o sorriso mas o nome do menino: Dimix. 

Quando mais tarde voltaram a São Tomé para o reencontrar, aperceberam-se que afinal o nome do menino que a havia inspirado não era Dimix, mas sim Dinix! Mas uma vez que o nome da missão já havia sido designado decidiu-se manter o nome DIMIX. 



MISSÃO DIMIX

"Depois de um ano a magicar a Missão Dimix, no regresso a São Tomé fomos à procura do Dimix. Concluí que era Dinix!! Mudou de aldeia, mas como quem tem boca vai a Roma e o nome do pai Eusébio não esqueci, lá o encontramos.  O pai contou-me com insatisfação que o Dinix deixou a escola, triste me deixou por já fazer parte dos números do abandono escolar que estudei. O Dinix voltou a frequentar a escola. Desejo-lhe um futuro promissor."


"Tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas." 

in "O Principezinho" de Antoine de Saint-Exupéry.


"Dedico esta frase ao menino Dinix que me inspirou a criar missão de partilha e a dar as mãos às crianças do seu país." Sónia Pessoa



Ser Criança em São Tomé e Príncipe


A missão Dimix foca-se essencialmente nas crianças e jovens santomenses. Foram de facto, os inúmeros problemas sociais que despertaram a atenção e a vontade de fazer parte da solução no país em parceria com outras instituições locais.


Os problemas percepcionados na nossa primeira visita vão de encontro aos reportados em alguns relatórios sobre o tema. 



A Missão Dimix vê nestas conclusões uma lista de desafios e pontos de actuação que vão de encontro aos nossos objetivos. 

A partilha de atividades de educação não-formal para ocupar os tempos livres das crianças e jovens que em São Tomé e Príncipe apenas frequentam a escola no período da manhã ou da tarde. 



Os Direitos das Crianças


“Todas as decisões relativas a crianças, adoptadas por instituições públicas ou privadas de protecção social, por tribunais, autoridades administrativas ou orgãos legislativos, terão primacialmente em conta o interesse superior da criança.”

Artigo 3 da Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU. 1989


Tendo em conta a importância das tradições e valores culturais de cada povo para a proteção e desenvolvimento harmonioso da criança, reconhecendo a importância da cooperação internacional para a melhoria das suas condições de vida em todos os países, recordamos os direitos das crianças que têm como base e fundamento os direitos à liberdade, às actividades lúdicas e sociais e o dever de serem respeitados:


“1 - Direito à igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade.

2 - Direito a especial proteção para o seu desenvolvimento físico, mental e social.

3 - Direito a um nome e a uma nacionalidade.

4 - Direito a alimentação, moradia e assistência médica adequadas para a criança e a mãe.

5 - Direito a educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente.

6 - Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade.

7 - Direito a educação gratuita e ao lazer infantil.

8 - Direito a ser socorrido em primeiro lugar, em caso de catástrofes.

9 - Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho.

10 - Direito a crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.”


contextualizacao_-_os_direitos_das_criancas.pdf


·     Para concluir:


- O trabalho infantil prejudica o processo educativo das crianças, expondo-as a vários tipos de riscos e ocupa o seu tempo que podia ser utilizado para actividades positivas para o seu desenvolvimento como jogar, estudar ou fazer desporto;

- As crianças em São Tomé e Príncipe têm lacunas graves em cálculo e escrita, ligados à falta de assistência pré-escolar;

- O sistema educativo tem falta de mecanismos de acompanhamento e de recuperação das crianças que desejam abandonar a escola.


Podemos confirmar que o verificamos ao desenvolvermos actividades no terreno. Bastantes são as vezes que uma boa parte das crianças apesar de mostrarem interesse em participar, não estão a usufruir das actividades devido a excesso de trabalhos domésticos encomendados pelo agregado familiar, adiantamos ainda que por vezes os familiares não estão ocupados, mas delegam as tarefas às crianças. Estes casos não ocorrem apenas ao fim-de-semana, mas também durante a semana em período escolar, acontece também a meio de uma actividade, os cuidadores interromperem para chamar as crianças para realização de tarefas.


Durante as sessões de apoio ao estudo verificamos as dificuldades referidas acima e concluímos que se devem ao conjunto de factores mencionados neste capitulo, em especial a falta de estimulação do agregado familiar nos primeiros anos de vida, e ainda à quantidade de tarefas domésticas ou outros trabalhos em que as crianças são envolvidas não lhes deixando disponibilidade para participar em actividades adequadas à sua idade que apoiam ao seu desenvolvimento psíquico.


A Missão Dimix como organização que defende os direitos das crianças, pretende continuar a falar com a comunidade, respeitando os seus costumes, mas despertando à reflexão dos agregados familiares e cuidadores de pequenos gestos que podem fazer a diferença no desenvolvimento e bem-estar das crianças.



Direito ao acesso à Educação:


“Etimologicamente, educar significa trazer de dentro para fora, como quem ajuda uma semente a tornar-se flor e fruto. Isso propriamente é “educar”: criar condições favoráveis a que uma planta produza segundo a sua semente. O antónimo de Educação não é Instrução, mas sim Amestragem. Educar é fazer que cada um se desenvolva em conformidade com a sua natureza. Amestrar é conseguir que o educando se adapte e se submeta a um Leviatã a que chamamos Estado, ou Igreja, ou Economia próspera ou outra qualquer abstracção que viva à custa dos homens.” (António Jose Saraiva, 1985).


Fonte: SOUSA, Alberto, 2017,  Educação pela Arte e Artes na Educação, Edições Piaget.



OBJECTIVOS:
 
1 - Cooperação para o desenvolvimento no campo da educação não-formal;_ODS 4*
 

2 - Educação e sensibilização para o desenvolvimento sustentável;_ODS 4_ODS11*
 
3 - Continuar a estabelecer  parcerias e sinergias com entidades que desenvolvem acções para Desenvolvimento e Cooperação entre os Povos._ODS16_ODS17*



RESULTADOS ESPERADOS:


Cooperar na melhoria do desempenho e aproveitamento escolar das crianças e jovens através do reforço das competências potenciadas em oficinas de actividades lúdico-educativas, assim como o descoberta e desenvolvimento de talentos.


QUEM APOIAMOS


Crianças e jovens das comunidades:


- 680 da Roça de Água-Izé;

- 31 Aldeia Praia Lagarto;

- 10 jovens surdos - Grupo Sem Barreiras.


(Pontualmente)


- Roça Uba Budo;

- Ribeira Afonso;

- Madalena;

- Ribeira Peixe;

- Ilhéu das Rolas.






Apoio individualizado, iniciado em 2018 com o Dinix, que em dificuldades de prosseguir estudos, assumimos custos e a tarefa de encarregados de educação, prestamos apoio ao estudo e acompanhamento diário no seu desenvolvimento pessoal e social.


Entre outros resultados destacamos o caso do Dinix, o menino de 14 anos, com a 4ª classe que com o alerta da Missão Dimix regressou aos bancos da escola, menos uma criança a fazer parte das taxas de abandono escolar e trabalho infantil.
 
Conhecê-mo-lo em 2015, perguntámos entre outras coisas que classe frequentava, regressamos em 2016 para lhe agradecer a inspiração na criação de Associação Missão Dimix e saber como estava. Não teve coragem, mas o pai Eusébio contou à posteriori, via telefone, que já não frequentava a escola. Quando chegou à Arcar, em Março de 2017, com o ano lectivo já a decorrer há bastantes meses ficou acordado na escola que assistiria às aulas e no fim do ano faria exame para se aferir se passaria de ano. Passou na prova e finalmente em Setembro 2017 iniciou a 5º classe.

Actualmente no ano lectivo 2020/2021 frequenta a 8ª classe,  a Missão Dimix é o seu encarregado de Educação.


A Missão Dimix pretende apoiar as crianças e jovens respondendo aos desafios do presente, mas preparando a comunidade do futuro.

Sobre

Como? Através da Arte!

EM QUE ACREDITAMOS
A arte ao serviço da educação ambiental e do desenvolvimento comunitário.


Acreditamos que se as crianças e os jovens crescerem com ferramentas tenderão para o desenvolvimento sustentável e serão empreendedores a conduzir os seus saberes.
Para isso desenvolvemos um modelo inspirador, que incite a sonhar à descoberta de talentos e a estudar para que os seus objectivos se realizem.
Partilhamos ferramentas para que o produto dos seus saberes lhes proporcione um futuro risonho.


A Missão Dimix acredita que a arte promove oportunidades de auto-expressão, exteriorizando o mundo interior de cada um. São inúmeras as vantagens da educação artística, despertando naturezas criativas, independentemente desta visar a formação de profissionais das artes.
Desta forma, a arte apresenta-se como uma ferramenta que, a par de estimular o desenvolvimento da criatividade, cumpre objetivos educativos - a arte ao serviço do ensino, potenciando o desenvolvimento da sensibilidade estética, imaginação, espontaneidade, contribuindo para formação cultural dos indivíduos.


O mundo só nos fará sorrir se as nossas crianças crescerem felizes e equilibradas. 


” A Educação pela arte é essencialmente um movimento de renovação, num sentido de se abandonar princípios pedagógicos rígidos e preconcebidos, para compreender as crianças nas suas emoções, nos seus desejos, nos seus interesses e na sua procura da felicidade, do modo cientificamente mais correcto e eficaz.”


Fonte: SOUSA, Alberto, 2017,  Educação pela Arte e Artes na Educação, Edições Piaget.




- as crianças e a criatividade no seu desenvolvimento:


“Estimular a criatividade será também provar à criança que se confia nela, nas suas possibilidades de realização, levando-a a descobrir que a criação é mais importante que a simples execução reprodutiva. Ela própria reparará que afinal a técnica é apenas um meio para dar forma à sua imaginação criativa.”


“Devemos encarar a criação como uma necessidade biológica da criança, tal como as outras suas necessidades (respirar, comer, movimento, etc.). A vida da criança é de constante desenvolvimento, inteiramente voltada para a construção de si, e, consequentemente, para a criação constante.
Criar é mais importante que contemplar a criação alheia. A criança prefere fazer do que assistir.”

“Criatividade não significa, porém, criação de obras. É uma atitude na vida, uma capacidade para dominar qualquer situação da existência.”


Fonte: SOUSA, Alberto, 2017,  Educação pela Arte e Artes na Educação, Edições Piaget.



- as crianças e o futuro do ambiente - Pequenos grandes líderes com super poderes:


É deveras importante desenvolver actividades ecologicamente orientadas para o desenvolvimento humano que não pode acontecer sem um planeta saudável.
Incutimos nas crianças e jovens a ideia de cidadãos com capacidade de reflexão e hábeis para traçarem caminhos para um planeta ecológico e justo para todos.

A Educação pode e deve desempenhar um papel crucial na transformação necessária para sociedades ambientalmente mais sustentáveis. A Educação pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades, conceitos e ferramentas que podem ser usadas para reduzir ou acabar com práticas não sustentáveis.

Se o comportamento humano gerou uma crise ambiental é urgente partilhar com as crianças e jovens aprendizagem para superar tal desastre.



- as crianças e o futuro de São Tomé e Príncipe:


“O idealismo e a criatividade da juventude são os recursos mais importantes que um país tem.”

Ban Ki-moon. 2010.


Acreditamos que o desenvolvimento de actividades que lhes permitam desenvolver ferramentas inter-relacionais, de sentido crítico e de desenvolvimento de hábitos de estudo, disciplina e respeito pelo meio ambiente são essenciais para a compreensão do que é o desenvolvimento sustentável fomentando o seu espírito livre e empreendedor.
Para isso desenvolvemos actividades que incitem a sonhar e estudar para que os seus objectivos pessoais e colectivos se realizem e conduzam a um futuro risonho.

As crianças e jovens são os Homens de Amanhã, acreditamos no potencial natural e humano de São Tomé e Príncipe, assim como acreditamos que se as gerações mais jovens tiverem acesso a educação de qualidade, informação e actividades extracurriculares com as quais desenvolvam o seu potencial individual e colectivo terão as ferramentas para o desenvolvimento sustentável do seu pequeno e fértil país. 

A longo prazo, a educação terá relevante impacto no nível de riqueza no país.


“As crianças representam 44,9% da população de São Tomé, são portadoras de direitos específicos e sofrem da pobreza e de privações de uma maneira claramente diferenciada dos adultos. As crianças constituem um investimento estratégico para o desenvolvimento do País.”


Fonte: UNICEF, 2015, Análise da Situação das Crianças e das Mulheres em São Tomé e Príncipe.




O que defendemos:


- os direitos das crianças e a sua felicidade:

No que diz respeito ao direito à educação defendemos três objectivos gerais da educação:


1 Desenvolvimento da Personalidade: 

- as crianças são diferentes entre si, possuem personalidades e capacidades diferentes, necessitam de uma educação diferenciada, que se adapte às suas características e necessidades diferenciadas do desenvolvimento da personalidade de cada uma em particular.


2 Progresso Social: 

- não considerado como progresso da máquina social, mas das pessoas que vivem em sociedade.


“(…) a coesão de um grupo social será tanto maior quanto mais diferentes forem as personalidades dos indivíduos que o constituem e mais diversificada for a formação de cada um. A possibilidade de cada um poder escolher a sua educação em conformidade com as suas vocações, possibilitará personalidades e formações diferenciadas e, por conseguinte, sucederá um aumento do bem estar individual e, logo, um progresso social.”


Fonte: SOUSA, Alberto, 2017,  Educação pela Arte e Artes na Educação, Edições Piaget.


3 Participação Democrática na Vida Colectiva:

O termo democracia está intimamente ligado a conceitos tais como liberdade e igualdade, sendo este um dos objectivos gerais da educação, podemos pressupor o desenvolvimento de capacidades de cooperação, interajuda, fraternidade, altruísmo entre outros, que se opõem à competição, rivalidades e lutas que limitam as liberdades e fomentam as desigualdades.


“(…) A liberdade, nestas circunstâncias, passa pela liberdade que cada indivíduo deverá ter na escolha da sua vida educacional, sem quaisquer restrições ou limitações.”


Fonte: SOUSA, Alberto, 2017,  Educação pela Arte e Artes na Educação, Edições Piaget.


Defendemos também a importância da formação específica dos jovens que tenham interesse, como futuros monitores ou formadores. A formação é muito importante, pois não só os torna auto-suficientes, como lhes dá responsabilidade sobre a sua aldeia/comunidade. Um jovem com formação específica irá concerteza ser um adulto muito mais completo para poder ele transmitir a outras crianças (futuros adultos) o seu conhecimento,  importante também para enfrentar os desafios de uma cidadania activa.



A NOSSA INSPIRAÇÃO: 

1 - EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL


“Educação não-formal qualquer actividade educativa organizada e sistemática, levada a cabo fora do quadro do sistema formal e com o fim de fornecer formas seleccionadas de educação a subgrupos específicos na população, tanto adultos como crianças”. Coombs & Ahmed, 1974



Escolas Krishnamurti


“A escola é um lugar onde se aprende sobre a totalidade e a plenitude da vida. A excelência académica é absolutamente necessária, mas uma escola inclui muito mais do que isso. É um lugar onde tanto o professor quanto o aluno exploram, não só o mundo exterior, o mundo do conhecimento, mas também seu próprio pensamento, seu próprio comportamento.” J. Krishnamurti - Escolas Krishnamurti.


A educação foi sempre uma das principais preocupações de Krishnamurti. Ele achava que se os jovens e os velhos viessem a ser despertados do seu condicionamento de nacionalidade, religião, preconceitos, medos e desejos, o que inevitavelmente leva ao conflito, eles poderiam trazer para as suas vidas uma qualidade totalmente diferente. A sua preocupação encontrou expressão na criação de escolas na Índia e no estrangeiro.


Quando Krishnamurti falou às crianças, a sua linguagem foi clara e simples. Ele explorou com eles a sua relação com a natureza e de uns com os outros, e problemas psicológicos como o medo, a autoridade, a competição, o amor e a liberdade. Para ele, as escolas eram um meio no qual as grandes questões existenciais poderiam ser exploradas numa atmosfera de liberdade e responsabilidade.

As características mais evidentes desse espírito são compartilhadas por todos nos espaçosos campi de grande beleza natural das escolas, com uma relação amigável e atenciosa entre professores e alunos; dieta vegetariana simples e saudável; salas de estar austeras, mas confortáveis; salas de aula espaçosas e convidativas; bibliotecas e laboratórios bem equipados; uma estreita relação professor-aluno e professores altamente qualificados e motivados.



2 - DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE


"(…)as indústrias criativas têm a sua origem na criatividade, habilidade e talento individuais e potencial para a criação de rendimento e emprego por meio da geração e exploração da Propriedade Intelectual". 
DCMS (Department for Culture, Media and Sport), Governo Britânico.


As economias criativas têm vindo a demonstrar a capacidade de algumas sociedades resistirem às crises económicas, estimularem um espírito empreendedor na juventude e de se afirmarem como setor promissor para a valorização da cultura e para o crescimento dos países.
A cultura e a criatividade permitem construir meios de vida, mobilizando recursos acessíveis, acrescentar-lhes valor, gerando riqueza e, potenciando deste modo, a criação de condições de resiliência de algumas sociedades.


Para a acção que pretendemos desenvolver com as famílias e comunidades, em especial as mulheres, mães das crianças e jovens que apoiamos, foi uma grande inspiração ouvir o Professor Rogério Roque Amaro, durante um Seminário em São Tomé e Príncipe. Este levou-nos a investigar e descobrir outro de grande relevância para o desenvolvimento sustentável local ou comunitário, por nos identificarmos, consideramo-lo como um guia para a estratégia que pretendemos desenvolver.


De forma muito sucinta, para o Professor Rogério Roque Amaro o “Desenvolvimento” é um dos conceitos mais importantes pois procura o bem estar, o progresso e a felicidade das pessoas, ou seja, tem a ver com a vida das pessoas, as suas condições de vida e os seus sonhos. Conceito este, que está associado á utopia, ao desejo de futuro, de mudança e de melhoria individual e colectivo, deveria ser o eixo central da acção de todos os governantes.
O desenvolvimento é um conceito de grandes potencialidades interdisciplinares,  enumeramos algumas tais como:
- economia;
- educação;
- saúde;
- cultura;
- ambiente;
- regulamentação política, histórica, leis;
- acção social.


Critérios de concepção de Desenvolvimento:

Tal como o professor,  quanto ao sector mais importante do Desenvolvimento, acreditamos que deve ser considerado como processo integrado conjugando as componentes económica, social, educacional, cultural, ambiental e política pelo menos.


Quanto aos protagonistas do processo de Desenvolvimento a perspectiva mais interessante é a de que, em parceria entre comunidades locais, organizações da sociedade civil, empresas, estado e ONG’s, de forma que todos tenham igual dignidade e importância. 
-  As empresas devem participar numa perspectiva de responsabilidade social, e não com interesses meramente económicos. 
- As autarquias locais devem estar mobilizadas pois estão mais próximas das comunidades, estão ligadas ao seu futuro e bem estar.
-  As comunidades devem participar em todos os processos ou fases, tais como:
            - discussão e definição dos projectos;
            - no seu planeamento;
            - na sua avaliação.


Para concluir esta perspectiva defende os direitos humanos, da dignidade, da cidadania e da participação activa das comunidades.


No que diz respeito às relações com a natureza e a biodiversidade a Natureza é vista como uma companheira de casa e de futuros comuns. 

A visão integrada em que os nossos companheiros da casa comum, os animais, as plantas e os elementos inertes são tão importantes como nós, sendo tão importante a nossa continuidade, como a deles e não apenas a deles para a nossa, mas a deles em iguais condições à nossa. Esta perspectiva implica o conceito de Democracia Ecológica, participação e empoderamento aplicado aos animais, às plantas e aos elementos inertes.


Quanto à sustentabilidade e continuidade dos processos de Desenvolvimento a perspectiva ecocêntrica, onde o que interessa é a sustentabilidade integrada e conjugada de forma a que todos os seres vivos, todas as componentes da natureza e do planeta onde vivemos têm igual importância.


3 - ECONOMIA SOLIDÁRIA 


O professor Rogério Roque Amaro, responsável pelo centro de Estudos de Economia Solidária do Atlântico (Países da Macaronésia, ou seja, Madeira, Açores, Cabo Verde e Canárias), define o conceito de economia solidária, não no sentido social, mas no sentido da solidariedade com a vida, o reencontro com a vida na sua multidimensionalidade. Conceito este muito próximo do conceito de sustentabilidade, uma vez que existe uma relação, coerência e interacção.



Referimos de seguida os 8 pilares da Economia Solidária, por ele considerados, e por nós tomados como inspiração e guia do desenvolvimento das acções com as mulheres e suas comunidades.



1. É um projecto económico porque:
a. Cria emprego;
b. Distribui rendimento;
c. Satisfaz consumos;
d. Gera poupanças;
e. Estimula investimentos.
É uma economia mais rica que as outras, produz e vende os seus produtos, é uma economia de dádiva que não se limita a donativos e voluntariado, mas está ancorada na cultura mais tradicional, é ainda uma economia de reciprocidade, da entre-ajuda, da vizinhança e da comunidade. A economia solidária recupera esta ideia de projecto económico.



2. É um projecto social que tem como objectivo principal responder aos problemas sociais das suas comunidades:
a. Dando emprego aos mais desfavorecidos;
b. Promovendo igualdade de oportunidades;
c. Criando condições de dignidade de trabalho.



3. É um projecto ambiental, ou seja, uma economia que tenta ter outra visão ambiental, através de:
a. Opções energéticas que faz;
b. Compra ou utilização de matérias primas segundo o modo de produção biológico;
c. Maneira como recicla os materiais e faz o tratamento dos lixos;
d. Propostas de relacionamento com a natureza;
e. Do turismo ecológico que promove no seu interior.



4. É um projecto cultural, ou seja, a cultura não é para ser destruída em nome de uma uniformização económica, mas é para ser recuperada nos seus valores, identidades e tradições como trunfo económico, por exemplo através:
a. Dos saberes gastronómicos;
b. Das festas comunitárias;
c. Do artesanato;
d. Da interacção com a comunidade.



5. É um projecto territorial, ou seja é uma economia que está enraizada num território e promove uma relação privilegiada com a comunidade , valorizando:
a. A contratação de pessoas locais;
b. A compra de produtos locais;
c. A relação com os eventos e as culturas.



6. É um projecto de gestão, mobiliza novos conceitos de gestão profissionalizante eficiente. Não pretende ser como a antecessora, a economia social, de gestão “porreirista”.



7. É um projecto de conhecimento, uma economia que pretende gerar conhecimento novo no seu conceito.



8. É uma economia que tem um projecto político, que significa duas coisas:
a. Democracia interna – as decisões são tomadas no seio das organizações em democracia;
b. Projecto político externo – colabora com outras instituições, como por exemplo o Estado e empresas, na resolução dos problemas da sociedade.



Estratégias facilitadoras dos 8 pilares da Economia Solidária identificadas pelo professor Rogério Amaro Roque:
- A importância da partilha e da informação sobre os problemas de desenvolvimento;
- A importância de haver processos de formação que envolvam as comunidades e todos os intervenientes;
- A importância de estabelecer parcerias sistemáticas com igualdade de condicionamentos face ao desenvolvimento;
- A importância de prosseguir o envolvimento das comunidades, mesmo que de início seja difícil face a sua tendência para a facilidade e a inércia;
- A importância decisiva para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe do aprofundamento da Democracia.





O NOSSO CAMINHO


Esta iniciativa, de cariz educativo, social e cultural, propõe-se atuar através de um programa de diversas atividades, focadas no pensamento e desenvolvimento artístico, com o intuito de proporcionar a todos um conjunto de experiências, que despertem a sua natureza criativa. Pretendemos assim contribuir para o desenvolvimento harmonioso das personalidades destas crianças e jovens, criando perspetivas sociais, culturais e profissionais exponenciando a sua interação com o mundo.


A arte, pelas suas potencialidades integradoras, proporciona ao ser humano a oportunidade de desenvolver competências a longo prazo, sejam elas cognitivas (aprender a conhecer), sociais (aprender a conviver), produtivas (aprender a fazer) ou pessoais (aprender a ser), pois, há uma experiência estética viva, que favorece a inter e transdisciplinaridade, seja como disciplina numa instituição de ensino ou como tema/método numa ação transversal. (Wendell, 2010)


Após o drama da Segunda Guerra Mundial Herbert Read retoma o conceito da educação pela arte, na tentativa de aproximar a formação dos indivíduos dos ideais da paz e contribuir para a reconstrução da humanidade. Para Read, todas as faculdades de pensamento, lógica, memória, sensibilidade e intelecto, estão envolvidas nos processos artísticos e nenhum aspeto da educação fica excluído desse fenómeno.


Ele defende que a arte deveria fazer parte do ensino de forma permanente, pois tanto a educação como a arte deveriam ter como finalidade a preservação do indivíduo como ser total e das suas capacidades mentais para que, quando fosse adulto, conservasse a “unidade da consciência que é a única fonte de harmonia social e de felicidade individual”.





OBJECTIVOS


Todas as crianças deviam ter memórias coloridas da infância, tomámos a iniciativa de desenhar a Missão Dimix para concretizar um projeto que possa contribuir para o desenvolvimento de crianças e jovens. Com elas queremos aprender o segredo do seu sorriso para crescermos de mãos dadas.


Queremos cativá-los de maneira que num futuro próximo, sejam eles os responsáveis por partilhar os seus conhecimentos, inspirar e apoiar outras crianças e jovens. 


As pequenas missões deverão ter objetivos simples de preenchimento de necessidades imediatas livros, vestuário, calçado, equipamento desportivo, bolas de futebol, filmes, jogos... 

A grande missão são as actividades de educação pela arte com foco na educação ambiental sem esquecer o desenvolvimento pessoal e social com o apoio de psicólogos.


OBJETIVOS MISSÃO DIMIX EM SÃO TOMÉ E PRINCIPE 2020: Sob o mote PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE


A Associação Missão Dimix pretende implementar, desenvolver e orientar oficinas de reutilização de materiais disponíveis – resíduos – que possibilitam o desenvolvimento comunitário. Os resíduos como fonte de rendimento, através de trabalhos artesanais construídos com a utilização de desperdícios e de materiais da natureza, gerando emprego, valorização e preservação dos saberes tradicionais inovando e contribuindo para a melhoria das condições de vida.


Em meados do ano de 2019 mudámos de uma comunidade citadina para uma comunidade rural, em plena Roça de Água Izé, criámos laços e fomos convidados a integrar um espaço cultural próximo da comunidade a F.A.C.A - Fábrica das Artes, Ambiente e Cidadania Activa. Um espaço em que acreditamos nos valores e onde nos sentimos integrados, mais próximos da comunidade em especial das crianças, estamos muito agradecidos pela oportunidade.


Em 2020 queremos continuar a reforçar os laços e a desenvolver um trabalho verdadeiramente útil à comunidade.


A par dos objetivos enquanto organização, queremos manter o foco e continuar a desenvolver as nossas atividades junto das crianças e dos jovens santomenses.


Os nossos objetivos estratégicos para a Missão Dimix no terreno são:


1. Crianças e a Proteção Meio Ambiente:
      • Promover o desenvolvimento enquanto indivíduos e enquanto grupo, das crianças e jovens santomenses com foco na sensibilização para as questões ambientais;
      • Promover atividades especificas de reutilização de plástico conjugados com criação artística através do tricot e da utilização de máquinas de reciclagem deste resíduo;
       • Dar continuidade ao estudo acompanhado e ao incutir de gosto pela leitura.


2. Empoderamento das Mulheres – Empreendedorismo:
     • Empoderamento das mulheres, sobretudo as mães chefes de família, de forma a melhorar o ambiente social e educacional da CRIANÇAS;
     • Promover Empreendedorismo Feminino. Pretendemos trabalhar na criação de iniciativas de economia solidária criativa tais como pequenos negócios amigos do ambiente, geradores de renda e emprego a terceiros para superar o fraco rendimento do agregado familiar, tendo forma de garantir a escolaridade das crianças e jovens. Através da partilha de saberes com mulheres, mães, chefes de família para as capacitar e ajudar a diversificar os produtos que produzem artesanalmente. Com o objetivo de redução da taxa de desemprego, em especial das mulheres e a redução da pobreza das famílias, factor chave para o bem-estar das crianças. Ao apoiar as mulheres a diversificarem e aumentarem a sua renda, melhorando assim as suas condições de vida, de forma a potenciarem a educação de qualidade aos seus filhos - ao apoiarmos as mulheres estamos a apoiar as suas crianças e o futuro da comunidade. Recordando a Convenção dos Direitos das Crianças e tendo em conta a família como elemento natural e fundamental da sociedade e meio natural para o crescimento e bem-estar de todos os seus membros, em particular das crianças, deve receber protecção, assistência e oportunidades necessárias para desempenhar plenamente o seu papel na comunidade.


       • Objetivo final:


Famílias mais prósperas têm possibilidades para proporcionar desenvolvimento harmonioso das crianças, sua personalidade e crescimento em ambiente familiar, clima de felicidade, amor e compreensão reduzindo o número de crianças em situação de rua e institucionalizadas.


 Em suma para 2020 temos os seguintes objetivos estratégicos:


1. Continuar a criar condições para receber as crianças e jovens nas atividades - Desenvolver grupos de tricot, costura e leitura e escrita criativa.


2. Criar grupos inclusivos, com condições para a concepção de projectos orientados para o desenvolvimento através da criação de emprego decente, empreendedorismo, criatividade, inovação, respeito pelo meio ambiente e consumos sustentáveis.


3. Realização de Oficinas comunitárias para desenvolvimento de grupos de trabalho de criação de ECO-DESIGN/ARTESANATO.



OBJETIVOS ENQUANTO ONGD PARA 2020:


Em 2020 temos os seguintes objetivos estratégicos:
Crescimento Organização Associação Missão Dimix, que passa por dar continuidade a alguns do pontos em que trabalhamos durante 2019, em resumo:

                                                 • Apostar na divulgação em Portugal e mundo através da redes sociais, jornais, revistas, etc;
                                                 • Angariação de novos sócios com vista a poder ter um fundo maneio que permita adquirir o material e logística necessária para as missões no terreno;
                                                 • Continuar a procurar parceiros que partilhem a mesma visão que nós e possam de alguma forma representar um valor acrescentado nos objetivos a que nos propomos;
                                                 • Realizar pontes entre as mais variadas áreas para realizarmos  capacitação assim como apoio escolar às crianças e jovens;
                                                 • Implementação dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável com as nossas ações em parceria com organizações no terreno;
                                                 • Continuar a procurar estabelecer intercâmbios, parcerias, alianças, relações estratégicas de qualidade e em consonância de valores com escolas, instituições, ONGD, autarquias locais e empresas.




O NOSSO COMPROMETIMENTO PARA 2020


EM RESUMO O NOSSO ANO DE 2020 ASSENTA SOBRE 3 PONTOS ESTRATÉGICOS


1. Crianças e a Proteção Meio Ambiente


2. Empoderamento das Mulheres - Empreendedorismo


3. Crescimento da Organização


➢ Em 2020 o foco é continuar a desenvolver as actividades de ocupação de tempo-livre pelo caminho da Educação pela Arte para o Desenvolvimento despertando a consciência ambiental, assim como a prestação do apoio ao estudo, em especial da leitura, que é identificada em diferentes estudos como uma grande dificuldade para crianças ou jovens e de uma grande importância para o seu sucesso nas diferentes áreas de estudo, assim como na sua comunicação e posição cívica activa em sociedade.


➢ A partilha de ações de sensibilização e palestras de desenvolvimento pessoal, fisico e emocional, assim como social com vista ao bem-estar de crianças, jovens e comunidades.


➢ O estabelecimento  de novas e reforço de parcerias já em curso é essencial para uma intervenção eficaz. A união de esforços e ideias torna as acções mais fortes encarando os problemas como um todo. Quanto menos dispersa a acção de cada organização melhores serão os resultados obtidos nas comunidades, ainda que cada uma actue para um problema específico, interligando-as segundo uma visão global de resolução de problemáticas relacionadas entre si. A criação destas sinergias tem ainda a vantagem de melhor gestão de recursos humanos e materiais.


➢ Além das actividades com crianças e jovens é urgente promovermos mais iniciativas com mulheres que na maioria das comunidades africanas são as chefes de família. São Tomé e Príncipe não é excepção, este fenómeno explica-se pela desestructuração dos agregados familiares, homens com várias famílias que em consequência de desentendimentos  leva as crianças a ficarem a cargo das mulheres.


                                ➢ Os dados indicam que as crianças são as principais vítimas da pobreza monetária em São Tomé e Príncipe. Acreditamos que se promovermos a capacitação de mulheres, apoiaremos ainda que de forma indirecta as crianças, pois as suas mães terão forma de sustento alternativa.


                                ➢ Ao desenvolvermos economia solidária e criativa com estas mulheres estamos a apoiar as crianças e a evitar a probabilidade do aumento do número de institucionalizadas.


➢ O Planeta, as Pessoas, a Paz, a Prosperidade, os lugares, sua biodiversidade natural e as parcerias serão inspiração para cooperarmos no desenvolvimento sustentável, na erradicação da pobreza no país, a partir da base da sua pirâmide demográfica – as crianças, sem esquecer as mulheres.



O Mundo só nos fará sorrir se as nossas crianças crescerem felizes e equilibradas.

O nosso lema de acção é TODOS JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!



O objetivo é despertar e inspirar as crianças para um conjunto de oportunidades, de expressão pessoal e do foro profissional, descobrindo outras perspetivas para um futuro sorridente. Queremos ouvi-las, descobrir os seus sonhos, inspirar caminhos e apoia-los a preparar um futuro melhor. Estamos juntos, em MISSÃO DIMIX.


• Realização de actividades específicas em áreas diversas. Nomeadamente:


Actividades em desenvolvimento – Corpo, Mente e Espírito

o - Oficinas de trabalhos manuais;
o - Oficinas de artes plásticas;
o - Oficinas de educação ambiental através das artes e técnicas de reciclagem de plástico, papel entre outros resíduos;
o - Oficinas de tricot como técnica de reutilização;
o - Oficinas de saúde e desenvolvimento pessoal;
o - Oficinas de expressão escrita e oral;
o - Oficinas de fotografia;
o - Oficinas de dança e música;
o - Visitas de estudo;
o - Desporto.



“ (…) Mais importante do que aprender, conhecer, e saber; é o vivenciar, descobrir, criar, e sentir. (…)”


Fonte: SOUSA, Alberto, 2017,  Educação pela Arte e Artes na Educação, Edições Piaget.


Em termos concretos, Actividades em desenvolvimento: corpo, mente e espírito:


“(…) uma educação englobando todos os modos de expressão individual: musical, dançada, dramática, plástica, verbal, literária e poética. Uma educação estética em que se realize, no seu pleno sentido, a relação harmoniosa do ser humano com o mundo exterior, para se poder chegar a construir uma personalidade integrada, ou seja, ligada a situações e a valores que obrigam o indivíduo a tomar com independência as suas próprias resoluções.”


Fonte: SOUSA, Alberto, 2017,  Educação pela Arte e Artes na Educação, Edições Piaget.


“O fim geral da educação é fazer um membro  útil e feliz na sociedade. O objectivo da educação é formar o corpo, o coração e o espírito do educando” (A. Garret, 1829)


Equipa

Com Quem?

JUNTOS SOMOS MAIS FORTES



O Dinix sem saber foi um guia do caminho chamado propósito da Sónia Pessoa (Ursotigre), um sonho antigo ganhou asas. Criar um projeto para partilhar actividades artísticas e ecológicas com crianças e jovens de meios rurais isolados.


André Pimpão

Programador web - autor do nosso website.

Bernardo Marques

Barman. Estudante de música. Associado. Equipa de embalamento de donativos na 1ª fase. O nosso vogal.

Bruno Pereira

Designer. Director criativo. Artista. Músico. Impulsionador da criação da Associação Missão Dimix. Autor do nosso logotipo. Associado.

Carlos M. Pereira

Humorista. Equipa de embalamento de donativos na 1ª fase. Apoio na divulgação das nossas apresentações em Lisboa.

Carlos Müller

Reformado. O grande responsável pela primeira visita a São Tomé e Príncipe. Equipa de embalamento de donativos na 1ª fase. Associado.

Cristiana Fernandes

Advogada. Associada. Vice Presidente.

Cristiano Câmara

Restaurador. Mergulhador. Associado. Conselheiro. O nosso Tesoureiro.

Inês Sena

Office manager. Conselheira. Designer gráfica dos nossos materiais e relatórios anuais. Associada.

Lúcia Azevedo

Associada. Conselheira. Presidente do Concelho Fiscal

Maria Palha

Psicologa médicos sem fronteiras. Consultora de programas com impacto social. Conselheira.

Miguel Angelo Fernandes

Gestor. Conselho Fiscal - Vogal.

Pedro Nóbrega

Fotógrafo. Autor das fotos de equipa. Assembleia Geral 1º secretário.

Richard F. Coelho

Realizador. Criativo. Autor do video do nosso video de apresentação. Presidente Assembleia Geral.

Sónia Pessoa

Ursotigre & make-up artist. Criadora do projecto Missão Dimix. Associada. Coordenadora e dinamizadora de actividades no terreno. Presidente.

“Tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas.”